IBM libera família Granite 4.2 com modelos de IA que aprendem sozinhos a usar ferramentas
A família inclui três tamanhos de modelos de linguagem com licença aberta Apache 2.0, sendo que os maiores foram treinados para executar código e usar ferramentas de forma autônoma
A IBM lançou a família Granite 4.2, três modelos de linguagem (programas de IA para entender e gerar texto) com 3, 8 e 30 bilhões de parâmetros. Os maiores aprenderam sozinhos a usar ferramentas e executar código através de aprendizado por reforço agêntico. Todos estão disponíveis sob licença Apache 2.0, permitindo uso comercial livre.

A IBM lançou sua família Granite 4.2, uma série de modelos de linguagem (programas de inteligência artificial treinados para entender e gerar texto) disponíveis em três tamanhos: 3 bilhões, 8 bilhões e 30 bilhões de parâmetros (valores ajustáveis que determinam como o modelo processa informação). Segundo informou o site The Decoder, todos os modelos foram treinados com cerca de 15 trilhões de tokens (pedaços de texto usados para ensinar o modelo) e conseguem processar janelas de contexto de até 512 mil tokens — o equivalente a centenas de páginas de texto de uma só vez.
O diferencial da família está nos modelos maiores, que passaram por um processo chamado "agentic RL" (aprendizado por reforço agêntico, uma técnica em que o modelo aprende por tentativa e erro, sendo recompensado quando acerta). Com isso, esses modelos aprenderam sozinhos a usar ferramentas externas e executar código, sem precisar de instruções explícitas para cada tarefa — uma capacidade conhecida como "agêntica", que permite que o modelo tome decisões e execute ações de forma mais autônoma.
Todos os modelos da família Granite 4.2 foram liberados sob a licença Apache 2.0, uma das mais permissivas do setor de software livre. Na prática, isso significa que desenvolvedores e empresas podem baixar, modificar, usar comercialmente e até redistribuir os modelos sem pagar royalties à IBM, desde que mantenham os avisos de copyright originais.
A estratégia da IBM contrasta com a de outras gigantes de tecnologia que mantêm seus modelos proprietários ou impõem restrições de uso. Ao disponibilizar modelos com capacidades agênticas sob licença aberta, a empresa aposta na construção de um ecossistema onde desenvolvedores possam criar aplicações mais complexas sem depender de APIs pagas (interfaces de programação que permitem acessar serviços de IA mediante pagamento) ou de modelos fechados hospedados na nuvem.


