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NegóciosXataka — Inteligencia Artificial2 min

Executivo da Nvidia é acusado de comandar contrabando de chips para a China

Fiscais de Taiwan imputaram nove pessoas, incluindo um diretor da Nvidia, por enviar servidores com chips proibidos para empresas chinesas disfarçando o destino final das cargas

Por Redação2 min
Em resumo

A Fiscalía de Taiwan acusou um diretor da Nvidia de liderar uma rede que contrabandeou 74 servidores equipados com chips Blackwell Ultra (componentes avançados de IA proibidos de venda para a China) falsificando o destino final das cargas. É o primeiro caso em que um funcionário da Nvidia responde criminalmente por contrabando de chips.

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Executivo da Nvidia é acusado de comandar contrabando de chips para a China
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A Nvidia enfrenta um caso de contrabando que sai diretamente de dentro de casa. A Fiscalía do Distrito de Keelung, em Taiwan, acusou formalmente nove pessoas — entre elas um alto executivo da própria Nvidia — de montar uma rede para desviar servidores equipados com chips de inteligência artificial para a China, driblando os controles de exportação impostos pelos Estados Unidos. É a primeira vez que um funcionário da Nvidia responde criminalmente por contrabando de chips, segundo informou o Financial Times.

O esquema girava em torno de servidores B300 da Nvidia, plataformas usadas para treinar modelos de IA (os sistemas que aprendem a partir de grandes volumes de dados) equipadas com chips Blackwell Ultra — componentes de última geração que os EUA proíbem de vender para a China. Segundo a acusação, o grupo falsificou documentos afirmando que os equipamentos iriam para um data center (instalação que concentra servidores e equipamentos de TI) em Taiwan, mas esse local não tinha sequer eletricidade ou conexão de internet suficiente para operá-los. No total, a rede movimentou 130 servidores; 74 chegaram a clientes chineses passando por Taiwan, Indonésia e Japão, enquanto 56 foram interceptados na alfândega taiwanesa.

A figura central da trama, segundo os fiscais, é um diretor da Nvidia em Taiwan identificado pelo sobrenome Zhang. Ele teria visitado o suposto data center de destino e, mesmo sabendo que o comprador oficial não tinha dinheiro — os fundos vinham de uma empresa chinesa —, ocultou essas informações e aprovou o envio. Zhang e outros três acusados podem pegar até cinco anos de prisão. A Nvidia afirmou em comunicado que seus funcionários têm "todos os incentivos para garantir o cumprimento das leis" e que colaborará com as autoridades taiwanesas. Já a Super Micro, distribuidora taiwanesa cujos executivos também foram imputados, disse que foi sua própria cooperação com a investigação que levou às prisões e destacou não estar sendo investigada.

O caso expõe um problema que cresce conforme os EUA apertam os controles: o mercado negro de chips de IA está explodindo. Um servidor DGX B300 com oito GPUs (chips gráficos especializados, usados para processar IA) Blackwell custa oficialmente cerca de 400 mil dólares (aproximadamente 2,3 milhões de reais), mas no mercado paralelo chegava a valer 600 mil dólares no ano passado. Hoje, o preço no contrabando dobrou de novo: 1,2 milhão de dólares, ou quase 7 milhões de reais. A Nvidia já afirmou que montar um data center inteiro com chips contrabandeados é "um beco sem saída" — sem suporte oficial, atualizações de software ou peças de reposição, a operação fica inviável no médio prazo. Mas enquanto a margem de lucro for tão alta, não faltarão pessoas dispostas a tentar, mesmo dentro da própria empresa que fabrica os chips.

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