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Anthropic lança Cowork, um assistente de IA que mexe nos seus arquivos — e construiu a ferramenta em dez dias

O novo recurso do Claude permite que qualquer pessoa organize pastas, crie planilhas de despesas e edite documentos sem precisar saber programar — mas a empresa alerta que a IA pode apagar seus arquivos por engano.

Por Redação4 min
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Anthropic lança Cowork, um assistente de IA que mexe nos seus arquivos — e construiu a ferramenta em dez dias
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A Anthropic lançou na segunda-feira o Cowork, um novo tipo de assistente de inteligência artificial que funciona diretamente nos arquivos do seu computador. Diferente de um chatbot comum, em que você cola um texto e recebe uma resposta, o Cowork pode abrir uma pasta no seu Mac, ler dezenas de recibos bagunçados e gerar uma planilha de despesas organizada — tudo sozinho. A novidade está disponível para assinantes do plano Claude Max (que custa entre 100 e 200 dólares por mês) e representa a aposta da empresa de que o futuro da IA não está só em conversar, mas em fazer trabalho de verdade. Segundo informou o VentureBeat, a equipe da Anthropic construiu o Cowork inteiro em aproximadamente dez dias, usando principalmente o Claude Code (uma ferramenta anterior da empresa feita para programadores escreverem código automaticamente) — um exemplo de IA sendo usada para construir mais IA.

A ideia do Cowork nasceu de um comportamento inesperado dos usuários. Desde que a Anthropic lançou o Claude Code no fim de 2024, a empresa notou que desenvolvedores estavam usando a ferramenta de programação para tarefas que nada tinham a ver com escrever código: pesquisar roteiros de viagem, montar apresentações de slides, limpar caixas de e-mail, cancelar assinaturas de serviços e até recuperar fotos de casamento de um disco rígido quebrado. "Esses casos de uso são diversos e surpreendentes", escreveu Boris Cherny, engenheiro da Anthropic, nas redes sociais. Percebendo essa demanda oculta, a empresa decidiu criar uma versão simplificada do Claude Code, sem a complexidade da linha de comando (a interface preta onde programadores digitam instruções), para que qualquer pessoa pudesse trabalhar da mesma forma.

Na prática, o Cowork funciona assim: você escolhe uma pasta no seu computador e dá permissão para o Claude acessá-la. Dentro desse espaço isolado, a IA pode ler arquivos existentes, editá-los ou criar novos do zero. A arquitetura usa o que especialistas chamam de "loop agêntico" (agentic loop) — um ciclo em que a IA planeja as etapas de uma tarefa, executa várias ações ao mesmo tempo, verifica o próprio trabalho e pede esclarecimentos se ficar em dúvida. Você pode deixar várias tarefas na fila e o Claude as processa em paralelo, como se estivesse delegando trabalho para um colega de equipe. O Cowork também se integra a serviços externos como Asana, Notion e PayPal (por meio de conectores que você configura na interface padrão do Claude) e pode até controlar o navegador Chrome para preencher formulários ou extrair informações de sites.

A Anthropic, porém, fez questão de alertar os usuários sobre os riscos. Como o Cowork pode editar e criar arquivos, ele também pode apagá-los por engano se interpretar mal uma instrução. Mais preocupante ainda é o risco de ataques de "injeção de prompt" (prompt injection) — uma técnica em que hackers escondem comandos maliciosos em conteúdos que a IA pode encontrar online, fazendo com que ela execute ações prejudiciais sem que você perceba. "Construímos defesas sofisticadas contra injeções de prompt, mas a segurança de agentes de IA — isto é, proteger as ações reais do Claude no mundo — ainda é uma área de desenvolvimento ativo na indústria", admitiu a empresa. É um grau de transparência incomum para o lançamento de um produto, mas reflete o tamanho do risco: pela primeira vez, muitos usuários vão lidar com uma IA que não apenas sugere mudanças, mas as executa.

O lançamento coloca a Anthropic em rota de colisão com a Microsoft, que há anos tenta integrar seu Copilot (um assistente de IA) ao sistema operacional Windows com adoção mista. A diferença é que a Anthropic escolheu uma abordagem de baixo para cima: em vez de projetar um assistente genérico e depois tentar ensinar a ele habilidades práticas, a empresa construiu primeiro uma ferramenta poderosa para desenvolvedores — o Claude Code — e agora está adaptando essa mesma base técnica para o público geral. Por enquanto, o Cowork está disponível apenas no aplicativo para macOS, mas a empresa já sinalizou planos de lançar versões para Windows e sincronização entre dispositivos. Boris Cherny classificou o produto como "inicial e cru, parecido com o que o Claude Code era quando foi lançado pela primeira vez". A verdadeira pergunta não é se a tecnologia funciona, mas se as pessoas vão confiar em uma IA o suficiente para entregar a ela acesso às suas pastas — especialmente depois de ler os próprios avisos da empresa sobre os riscos.

Fonte original
VentureBeat AI
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