Zuckerberg diz que Meta vê oportunidade bilionária em IA para empresas — e não só com agentes
CEO da empresa afirmou que a aposta corporativa vai além de chatbots e inclui APIs, infraestrutura de computação e software interno.

Mark Zuckerberg afirmou nesta quarta-feira que a Meta vê uma "grande oportunidade corporativa" em inteligência artificial que vai muito além de agentes conversacionais. Durante a apresentação de resultados do segundo trimestre, o CEO da companhia — dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — disse que a empresa pretende explorar o mercado empresarial por meio de APIs (interfaces que permitem a outras empresas conectar seus sistemas aos serviços da Meta), infraestrutura de computação e ferramentas de software interno, segundo informou o TechCrunch.
A declaração sinaliza que a Meta não quer apenas criar assistentes virtuais — os chamados agentes de IA (softwares que podem executar tarefas de forma autônoma, como responder clientes ou organizar dados) — mas também vender a tecnologia que sustenta esses sistemas. Isso inclui desde modelos de linguagem (LLMs, sigla para large language models, os algoritmos treinados para entender e gerar texto) até capacidade de processamento em seus data centers.
A estratégia coloca a Meta em competição direta com empresas como Microsoft, Amazon e Google, que já oferecem serviços de IA voltados para o mercado corporativo. A diferença é que a Meta sempre foi uma empresa focada em consumidores finais — suas redes sociais têm bilhões de usuários, mas a receita vem quase toda de publicidade. Entrar com força no mercado empresarial representa uma mudança significativa de direção.
Zuckerberg não deu números específicos sobre quanto a empresa espera faturar com essa frente, mas o timing é revelador: a Meta tem investido dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA nos últimos anos, e a pressão dos investidores por retorno financeiro cresce. A aposta é que empresas paguem para usar a mesma tecnologia que a Meta desenvolve internamente — um modelo parecido com o da OpenAI, que vende acesso ao GPT (o modelo de linguagem por trás do ChatGPT) para outras companhias.
A menção explícita a "compute" (capacidade de processamento) também sugere que a Meta pode começar a alugar poder computacional para outras empresas treinarem ou rodarem seus próprios modelos de IA, competindo com a AWS (Amazon Web Services, o serviço de computação em nuvem da Amazon) e o Google Cloud. Por enquanto, no entanto, a empresa não detalhou quando ou como esses serviços chegarão ao mercado.


