Usuários reclamam de marca d'água da Anthropic que pode revelar uso de IA no trabalho e na faculdade
O novo sistema de marcação de textos gerados pelo Claude gerou revolta nas redes sociais entre quem usa o assistente para esconder que está pedindo ajuda da IA.

A Anthropic (startup de inteligência artificial criada por ex-funcionários da OpenAI) anunciou recentemente um sistema de marcas d'água invisíveis em textos criados pelo Claude, seu assistente de IA. A tecnologia permite identificar se um texto foi gerado por IA mesmo depois de editado — e uma parte dos usuários não gostou nada da novidade.
Segundo informou o TechCrunch, redes sociais como X e Reddit foram inundadas por reclamações de pessoas que usam o Claude para redigir trabalhos da faculdade, relatórios corporativos ou responder e-mails profissionais sem revelar que contaram com ajuda artificial. Para esse grupo, a marca d'água representa uma ameaça direta: professores e empregadores poderão detectar facilmente o que antes passava despercebido.
O sistema funciona através de ajustes sutis na escolha e na ordem das palavras geradas pelo modelo de linguagem (LLM, o tipo de IA que entende e produz texto). Essas alterações são imperceptíveis para quem lê, mas podem ser identificadas por um detector específico — mesmo que o usuário reescreva trechos ou mude a estrutura do texto depois. A Anthropic afirma que a tecnologia tem taxa de falsos positivos menor que 0,01% em textos com mais de 200 palavras.
A reação negativa expõe um paradoxo: enquanto empresas de IA promovem seus produtos como ferramentas para aumentar a produtividade, muitos usuários dependem justamente do anonimato da autoria para utilizá-los sem violar regras acadêmicas ou contratuais. A Anthropic, por sua vez, argumenta que a transparência é essencial para o uso responsável da tecnologia — e que estudantes e profissionais precisam entender os limites éticos de ferramentas como o Claude.
Outras empresas do setor, incluindo OpenAI e Google, também têm desenvolvido sistemas de detecção semelhantes, mas nenhuma havia implementado marcas d'água de forma tão abrangente. A discussão deve se intensificar nos próximos meses, especialmente em universidades e empresas que ainda não têm políticas claras sobre o uso de assistentes de IA.


