Startup levanta US$ 9 milhões para criar materiais que esfriem chips de IA
A Discovered Materials usa inteligência artificial para acelerar a descoberta de novos materiais que podem tornar processadores mais eficientes.

A Discovered Materials, startup americana focada em ciência de materiais, anunciou uma rodada de investimento de US$ 9 milhões para acelerar a busca por materiais inovadores capazes de construir chips mais eficientes. A empresa usa inteligência artificial para prever quais combinações de elementos químicos podem resultar em materiais com propriedades úteis — especialmente aqueles que ajudem processadores a dissipar calor com mais eficiência.
O problema que a startup quer resolver é antigo: quanto mais potentes ficam os chips, mais calor eles geram. Processadores modernos de IA, como as GPUs (unidades de processamento gráfico, os chips especializados em cálculos paralelos que rodam modelos de linguagem e outras tarefas de inteligência artificial), podem consumir centenas de watts e exigem sistemas de resfriamento complexos e caros. Materiais melhores para conduzir ou dissipar calor poderiam tornar esses chips mais rápidos, mais baratos de operar e menos dependentes de ventoinhas e líquidos refrigerantes.
Segundo informou o TechCrunch, a Discovered Materials treina modelos de IA para simular milhões de combinações atômicas e prever suas propriedades térmicas, mecânicas e elétricas antes mesmo de sintetizá-las em laboratório. A abordagem é uma espécie de "jogo de tentativa e erro acelerado": a IA sugere candidatos promissores, os cientistas testam os melhores, e os resultados alimentam novos ciclos de previsão. O processo pode reduzir de anos para meses o tempo necessário para descobrir um material útil.
A rodada foi liderada por fundos de venture capital especializados em climate tech (tecnologias voltadas para clima e sustentabilidade) e deep tech (startups baseadas em inovações científicas de longo prazo). A empresa planeja usar o dinheiro para expandir sua equipe de cientistas de materiais e químicos computacionais, além de construir parcerias com fabricantes de semicondutores interessados em testar os novos materiais em ambientes de produção real.
O mercado de semicondutores enfrenta pressão crescente para reduzir o consumo energético de data centers, onde chips de IA já representam uma fatia significativa da conta de luz. Materiais que melhorem a eficiência térmica podem se tornar tão estratégicos quanto os próprios designs de chips — e startups como a Discovered Materials apostam que a IA pode ser a ferramenta ideal para encontrá-los antes da concorrência.


