Projeto de IA mapeia toda a superfície da Terra para monitorar mudanças climáticas
Plataforma OlmoEarth combina imagens de satélite e modelos de linguagem visual para detectar desmatamento, queimadas e uso do solo em escala planetária.

O Allen Institute for AI (um instituto de pesquisa em inteligência artificial sem fins lucrativos, sediado em Seattle) lançou a OlmoEarth, uma plataforma que usa IA para analisar imagens de satélite do mundo inteiro e detectar mudanças ambientais em tempo quase real. O sistema combina modelos de linguagem visual (VLMs, algoritmos que entendem tanto texto quanto imagem) com dados do satélite Sentinel-2 (da Agência Espacial Europeia, que fotografa toda a superfície terrestre a cada cinco dias) para identificar desmatamento, queimadas, expansão urbana e outros fenômenos climáticos.
Segundo informou o instituto em post no blog da Hugging Face (uma plataforma onde desenvolvedores compartilham e baixam modelos de IA já treinados), a infraestrutura processa 150 milhões de quilômetros quadrados de imagens — o equivalente a toda a superfície terrestre — usando um cluster de GPUs (chips especializados em cálculos de IA) que roda inferência (o processo de aplicar um modelo de IA treinado a novos dados) em paralelo. O projeto gerou mapas detalhados de cobertura do solo para 2023 e 2024, classificando cada pixel em categorias como floresta, agricultura, água ou área construída.
A plataforma é totalmente aberta: o modelo base se chama Prithvi (desenvolvido pela NASA e IBM para análise de dados geoespaciais), os dados de satélite são públicos e todo o código-fonte está disponível no GitHub. A equipe disponibilizou também um dataset (conjunto de dados) com 1,9 milhão de exemplos rotulados de uso do solo, anotados com ajuda de outros modelos de IA, para que pesquisadores possam treinar seus próprios modelos sem precisar começar do zero.
Entre os casos de uso previstos estão monitoramento de desmatamento ilegal, mapeamento de áreas afetadas por incêndios florestais, planejamento urbano e avaliação de impacto ambiental de grandes obras. A OlmoEarth já está sendo usada para rastrear mudanças na Amazônia e em regiões da África subsaariana, segundo o instituto. A plataforma aceita consultas em linguagem natural — um usuário pode perguntar, por exemplo, "mostre áreas de floresta que viraram pasto nos últimos seis meses" e receber mapas atualizados automaticamente.
O projeto faz parte de uma tendência mais ampla de aplicar modelos de IA generativa a problemas climáticos e ambientais. Diferentemente de startups comerciais que oferecem serviços semelhantes, o Allen Institute optou por liberar tudo como código aberto, sem custos de licenciamento, para acelerar pesquisas em países com menos recursos. A infraestrutura técnica detalhada — incluindo scripts de processamento paralelo e pipelines de dados (sequências automatizadas de etapas para preparar e alimentar dados ao modelo) — está documentada publicamente para replicação.


