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NegóciosTechCrunch AI2 min

Por que as big techs falam de seus produtos como se fossem governos

Historiadora Jill Lepore defende que empresas do Vale do Silício usam linguagem política elevada para descrever tecnologia — e que isso revela como leem mal a ficção científica

Por Redação2 min
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Por que as big techs falam de seus produtos como se fossem governos
Negócios · TechCrunch AI

A historiadora Jill Lepore, da Universidade Harvard, tem uma teoria sobre por que empresas de tecnologia costumam usar uma linguagem grandiosa e quase política ao descrever seus produtos. Segundo informou o TechCrunch, ela argumenta que há um padrão claro: desde o antigo slogan do Twitter como "praça pública no seu bolso" até a chamada "constituição" do Claude (o chatbot da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial), as big techs falam de suas plataformas como se estivessem construindo novos Estados.

No livro que lança em breve, *The Rise and Fall of the Artificial State* (algo como "A Ascensão e Queda do Estado Artificial"), Lepore — vencedora do Prêmio Pulitzer e conhecida por seus trabalhos sobre história política americana — investiga essa tendência. Para ela, líderes do Vale do Silício são leitores ruins de ficção científica: absorvem a estética e as metáforas dos livros, mas ignoram os avisos e as críticas embutidas nas histórias. É como se lessem *1984* achando que o Grande Irmão tinha boas ideias.

A tese de Lepore ajuda a entender por que tantas startups falam em "missões", "manifestos" e "princípios fundadores" — vocabulário que normalmente associamos a movimentos políticos ou documentos de Estado, não a aplicativos ou serviços comerciais. A Anthropic, por exemplo, criou uma "constituição" pública que deveria guiar o comportamento de seu modelo de IA, o Claude, usando princípios inspirados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Facebook (hoje Meta) já se descreveu como infraestrutura essencial para a democracia global.

Esse tipo de linguagem não é inocente, segundo a historiadora. Quando empresas privadas adotam o vocabulário do poder público, elas sugerem — às vezes de forma explícita — que seus produtos merecem o tipo de autoridade, confiança e alcance que normalmente reservamos para instituições democráticas. Mas diferente de governos, essas plataformas não prestam contas a eleitores, não têm separação de poderes nem processos transparentes de decisão.

A análise de Lepore ganha força num momento em que modelos de IA generativa (sistemas capazes de criar texto, imagem ou código a partir de comandos simples) começam a influenciar desde resultados de busca até decisões em saúde e educação. Entender por que essas empresas se veem — e querem ser vistas — como algo maior do que negócios privados pode ser essencial para cobrar delas responsabilidade real, e não apenas retórica inspiradora.

Fonte original
TechCrunch AI
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