Justiça dos EUA diz que governo Trump não provou risco da Anthropic
Juiz federal questiona proibição do uso da tecnologia da empresa de IA por falta de evidências concretas sobre ameaças à cadeia de suprimentos.

Um juiz federal nos Estados Unidos afirmou que o governo Trump não apresentou provas suficientes para justificar a classificação da Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos — uma etiqueta que levou à proibição do uso de sua tecnologia de inteligência artificial por órgãos governamentais e empresas com contratos federais. A decisão coloca em xeque a base legal da medida e pode forçar uma revisão completa da política.
A Anthropic (startup americana que criou o Claude, um assistente de IA generativa que compete diretamente com o ChatGPT) foi incluída em uma lista de empresas consideradas arriscadas pelo governo em abril deste ano, sem que fosse apresentada publicamente nenhuma justificativa técnica ou de segurança. Segundo informou a TechCrunch, a empresa contestou a classificação na Justiça alegando que a decisão foi arbitrária e prejudicou seus negócios.
O caso levanta questões sobre como o governo define o que é um risco à cadeia de suprimentos no contexto de inteligência artificial. Diferentemente de casos envolvendo hardware (como chips ou equipamentos de rede que podem ser fisicamente rastreados), tecnologias de IA envolvem modelos treinados, APIs (interfaces que permitem que programas conversem entre si) e serviços em nuvem — áreas onde é mais difícil estabelecer critérios objetivos de risco.
A Anthropic tem investidores importantes, incluindo a Google e a Salesforce, e não possui vínculos conhecidos com governos estrangeiros. A empresa também se posiciona publicamente como defensora da segurança em IA, publicando pesquisas sobre como tornar modelos de linguagem (LLMs, programas que entendem e geram texto) mais confiáveis e menos propensos a comportamentos perigosos.
A decisão judicial não reverte imediatamente a proibição, mas exige que o governo apresente evidências concretas ou retire a classificação. O caso deve ter desdobramentos nas próximas semanas e pode servir de precedente para outras empresas de IA que enfrentam restrições semelhantes.


