Google remove ferramenta de IA do Earth um dia depois do lançamento
A função permitia criar imagens falsas geradas por inteligência artificial e sobrepô-las a mapas reais — críticos alertaram que facilitaria a desinformação.

O Google (Alphabet) tirou do ar nesta quinta-feira uma nova função de inteligência artificial do Google Earth, apenas um dia depois de lançá-la. A ferramenta permitia que qualquer pessoa gerasse imagens falsas criadas por IA e as colocasse sobre mapas reais do serviço — o que rapidamente provocou uma onda de críticas, segundo informou o TechCrunch.
A função, batizada de Earth AI, usava modelos generativos (sistemas de IA capazes de criar imagens, textos ou vídeos a partir de comandos em linguagem natural) para produzir visualizações que não correspondiam à realidade. Usuários podiam, por exemplo, inserir prédios inexistentes em fotos de satélite de bairros reais ou alterar paisagens naturais com elementos fictícios. O resultado eram imagens que pareciam autênticas à primeira vista, mas não tinham relação com o que existe de fato no local.
Especialistas em desinformação e pesquisadores de ética em IA alertaram que a ferramenta poderia ser usada para espalhar notícias falsas, manipular disputas territoriais ou confundir o público em situações de emergência — como desastres naturais ou conflitos armados. A facilidade de uso e a integração com o Google Earth, uma plataforma amplamente confiável, tornavam o risco ainda maior.
Em comunicado, a empresa não detalhou os motivos da remoção, mas reconheceu que estava ouvindo o feedback da comunidade. O episódio ilustra os desafios que as gigantes de tecnologia enfrentam ao integrar IA generativa em produtos estabelecidos: o que pode parecer uma inovação útil em laboratório rapidamente revela riscos imprevistos quando chega ao público geral.
O Google Earth existe desde 2001 e é usado por milhões de pessoas para visualizar imagens de satélite, mapas em 3D e informações geográficas. A tentativa de adicionar recursos de IA generativa à plataforma faz parte de um movimento mais amplo da empresa para incorporar essas tecnologias em todos os seus produtos — mas este caso mostra que nem toda aplicação de IA é bem-vinda, especialmente quando toca em questões de confiança e veracidade da informação.


