Google corrigiu mais bugs do Chrome em um mês com IA do que em dois anos manualmente
Empresa usou modelos de linguagem para encontrar e consertar falhas de segurança em velocidade sem precedentes, seguindo movimento já iniciado pela Microsoft

O Google anunciou que corrigiu mais bugs (falhas de programação que causam erros ou vulnerabilidades de segurança) no Chrome durante junho deste ano do que ao longo de dois anos inteiros usando métodos tradicionais. A mudança drástica veio do uso de LLMs (modelos de linguagem de grande escala, como o ChatGPT) e outras ferramentas de inteligência artificial para identificar e consertar problemas no código do navegador, segundo informou o TechCrunch.
A estratégia não é novidade total no setor: a Microsoft já vem usando IA para caçar vulnerabilidades em seus produtos há algum tempo, reportando aumentos semelhantes na quantidade de correções. Mas a escala anunciada pelo Google — um mês superando dois anos — ilustra como a tecnologia está acelerando um processo que, até pouco tempo atrás, dependia quase totalmente de programadores humanos revisando linha por linha.
Especialistas em segurança vinham alertando nos últimos dois anos que essa virada estava a caminho. Com modelos de IA cada vez mais capazes de entender código e identificar padrões sutis que indicam falhas, empresas de tecnologia passaram a tratar essas ferramentas como aliadas essenciais na corrida contra hackers — que, por sua vez, também podem usar IA para encontrar brechas mais rápido.
Para quem usa o Chrome (o navegador mais popular do mundo, com mais de 60% de participação no mercado), a notícia significa atualizações de segurança mais frequentes e um software teoricamente mais seguro. Mas também levanta questões sobre quanto as empresas dependem de sistemas de IA para manter produtos críticos funcionando — e o que acontece se essas mesmas ferramentas errarem ou criarem novos problemas ao tentar consertar os antigos.

