Claude Code cobra até US$ 200 por mês — Goose faz o mesmo de graça
Um agente de IA da Block permite programar com modelos locais, sem assinatura nem limite de uso, enquanto a ferramenta da Anthropic enfrenta revolta de desenvolvedores com suas restrições

Claude Code, o agente de IA da Anthropic que escreve, corrige e executa código de forma autônoma, conquistou programadores no mundo todo — mas seu preço, que vai de US$ 20 a US$ 200 por mês dependendo do uso, gerou uma revolta crescente. O plano gratuito não dá acesso nenhum à ferramenta. O plano Pro, a US$ 20 mensais, limita usuários a apenas 10 a 40 comandos a cada cinco horas — quantidade que desenvolvedores sérios esgotam em minutos. Os planos Max, a US$ 100 e US$ 200, oferecem mais folga, mas ainda impõem limites semanais baseados em tokens (unidades que medem o volume de texto processado pela IA), o que gera confusão: quando a Anthropic fala em "40 horas de uso", na prática significa cerca de 44 mil tokens, quantidade que varia enormemente conforme o tamanho do projeto. Segundo informou o VentureBeat, fóruns de desenvolvedores no Reddit explodiram em críticas, com usuários relatando bater no limite diário em 30 minutos de trabalho intenso e cancelando assinaturas.
Agora, uma alternativa gratuita ganha força. Goose, um agente de IA de código aberto criado pela Block (a empresa de pagamentos comandada por Jack Dorsey, ex-CEO do Twitter), oferece funcionalidade quase idêntica ao Claude Code — mas roda inteiramente no computador do usuário. Sem mensalidade, sem dependência da nuvem, sem limites que reiniciam a cada cinco horas. O projeto já acumula mais de 26.100 estrelas no GitHub (a plataforma onde desenvolvedores compartilham código), com 362 colaboradores e 102 versões lançadas desde o início. "Seus dados ficam com você, ponto final", resumiu Parth Sareen, engenheiro de software que demonstrou a ferramenta em transmissão ao vivo. O Goose funciona até offline — num avião, por exemplo.
A grande diferença está na arquitetura. Enquanto Claude Code envia suas consultas para os servidores da Anthropic, o Goose pode usar qualquer modelo de linguagem (LLM, sigla para large language model, os sistemas de IA que entendem e geram texto): você pode conectá-lo ao Claude via API (interface de programação que permite acesso pago aos modelos), ao GPT-5 da OpenAI, ao Gemini do Google, ou — e aqui a coisa fica interessante — rodar modelos de código aberto completamente locais usando ferramentas como o Ollama (software que baixa e executa LLMs no seu próprio computador). Com essa configuração local, não há custo, não há limite de uso, e seu código nunca sai da sua máquina. O Goose vai além de sugerir trechos de código: ele instala pacotes, executa testes, edita arquivos, depura erros e orquestra tarefas complexas em vários arquivos — tudo de forma autônoma, sem precisar de supervisão constante.
Claro, rodar modelos de IA localmente exige hardware mais robusto. A documentação da Block recomenda 32 gigabytes de memória RAM como base sólida para modelos maiores — o que significa que um MacBook Air básico de 8 GB vai sofrer, mas um MacBook Pro de 32 GB (cada vez mais comum entre desenvolvedores profissionais) aguenta tranquilamente. Modelos menores, como versões compactas do Qwen 2.5 (um LLM desenvolvido pela Alibaba com boa capacidade de executar comandos técnicos), rodam em máquinas mais modestas, com 16 GB de RAM. E há diferenças reais de qualidade: o Claude 4.5 Opus, modelo topo de linha da Anthropic, ainda é considerado o melhor para engenharia de software, especialmente em tarefas complexas. Modelos de código aberto melhoraram muito, mas a diferença ainda existe. Um desenvolvedor que paga os US$ 200 mensais resumiu assim: "Quando peço 'deixe isso com cara moderna', o Opus entende o que quero dizer. Outros modelos me dão Bootstrap de 2015".
Mas para uma comunidade crescente de programadores, essas limitações são compensadas por algo cada vez mais raro no mercado de IA: uma ferramenta que pertence de verdade a quem a usa. O Goose não é perfeito — exige configuração técnica, depende de hardware que nem todo desenvolvedor tem, e seus modelos ainda ficam atrás dos proprietários nas tarefas mais difíceis. Mas se a trajetória atual continuar, com modelos de código aberto melhorando rapidamente (casos como o Kimi K2 da Moonshot AI e o GLM 4.5 da z.ai já rivalizam com o Claude Sonnet 4), a vantagem de qualidade que justifica o preço premium pode desaparecer. E aí a Anthropic terá que competir em experiência de uso e integração, não só em capacidade bruta. O fato de um produto comercial de US$ 200 mensais ter um concorrente de código aberto gratuito com funcionalidade comparável é, por si só, notável. O Goose está disponível para download no GitHub, e o Ollama no site ollama.com — ambos projetos gratuitos e de código aberto.


