Mercado paralelo vende acesso ao Claude na China por 10% do preço oficial
Apesar dos bloqueios da Anthropic, desenvolvedores chineses compram tokens do Claude através de uma rede de intermediários que burlam verificações e vendem créditos com desconto de 90%
Uma rede de intermediários chamados estações de transferência está burlando os bloqueios geográficos e verificações da Anthropic (empresa criadora do Claude, um assistente de IA avançado) para revender acesso ao modelo na China. Desenvolvedores chineses conseguem comprar tokens (unidades que medem o uso do modelo) por apenas 10% do preço oficial.

A Anthropic (empresa americana criadora do Claude, um assistente de inteligência artificial avançado) implementou controles rigorosos para impedir que usuários na China acessem seu modelo — incluindo bloqueio geográfico e até verificação por selfie. Mas segundo informou o site The Decoder, uma rede organizada de intermediários conhecidos como "estações de transferência" vem driblando sistematicamente essas barreiras e vendendo acesso ao Claude para desenvolvedores chineses.
Esses intermediários conseguem tokens (unidades de texto que o modelo processa, usadas para medir e cobrar pelo uso da IA) a preços que chegam a apenas 10% do valor oficial praticado pela Anthropic. Na prática, quem pagaria cem dólares por uma determinada quantidade de créditos consegue o mesmo acesso por dez dólares no mercado paralelo.
O esquema funciona comprando acesso através de contas abertas fora da China — muitas vezes usando identidades de terceiros ou documentos obtidos irregularmente — e revendendo esse acesso internamente. A analista Zilan Qian alertou que essa infraestrutura de burla não apenas enfraquece os controles de exportação de tecnologia sensível impostos pelos Estados Unidos, mas também compromete os próprios sistemas de segurança que a Anthropic construiu para evitar usos indevidos de seus modelos.
O caso ilustra um problema mais amplo: mesmo quando empresas americanas tentam restringir o acesso a modelos avançados de IA por razões de segurança nacional ou prevenção de abusos, redes de intermediários conseguem criar canais paralelos difíceis de rastrear e bloquear. A Anthropic não comentou publicamente sobre a extensão do problema nem sobre possíveis medidas adicionais para combater essas brechas.


