LAION lança gigantesco banco de vídeos aberto para pesquisa em IA com 10 milhões de horas de conteúdo
A organização sem fins lucrativos LAION disponibilizou um conjunto de dados com 80 milhões de vídeos para treinar modelos de inteligência artificial, e os primeiros testes mostram resultados melhores que a base de dados anterior mais usada no setor.
A LAION (organização que cria bancos de dados para IA) lançou o Big Video Dataset, com 80 milhões de vídeos e 10 milhões de horas de conteúdo. Modelos treinados nele superaram a base anterior, InternVid, em até 2,1 pontos percentuais, e o material está disponível gratuitamente para pesquisadores.

A LAION (uma organização sem fins lucrativos que cria bancos de dados para pesquisa em inteligência artificial) acabou de liberar o Big Video Dataset, ou BVD, um dos maiores conjuntos de vídeos abertos já disponibilizados para treinar modelos de IA. São 80 milhões de vídeos, somando 10 milhões de horas de material bruto, dos quais 55 milhões já vêm com descrições automáticas do que aparece em cada cena — algo essencial para ensinar sistemas de IA a entender e gerar vídeo.
O tamanho importa: modelos treinados com o BVD superaram o InternVid (até então o principal banco de vídeos usado por pesquisadores) em até 2,1 pontos percentuais nos testes de precisão. Pode parecer pouco, mas em aprendizado de máquina (a técnica que permite à IA aprender padrões a partir de exemplos) essa diferença costuma separar um modelo mediano de um modelo de ponta.
A novidade chega em um momento delicado para quem cria bancos de dados desse tipo. Várias empresas e artistas têm questionado na Justiça o uso de obras protegidas por direitos autorais para treinar IA — mesmo quando o objetivo declarado é pesquisa sem fins comerciais. A LAION, no entanto, pode estar amparada por uma decisão de 2024 de um tribunal de Hamburgo, na Alemanha, que permitiu a coleta de conteúdo protegido para fins de pesquisa não comercial.
Segundo informou o site The Decoder, o BVD está disponível gratuitamente para pesquisadores. A ideia é acelerar o desenvolvimento de modelos de IA que entendem e criam vídeo — uma área que ainda fica atrás da geração de imagens estáticas e texto. Com um banco desse tamanho, grupos de pesquisa menores, que não têm orçamento para coletar e organizar milhões de vídeos por conta própria, passam a competir em condições mais próximas das grandes empresas de tecnologia.


