Google usa IA para criar plantas resistentes ao calor
Cientistas aplicaram o AlphaFold para modificar uma enzima da fotossíntese e desenvolver cultivos agrícolas que suportem melhor as altas temperaturas causadas pelas mudanças climáticas.
O Google DeepMind está usando o AlphaFold (sistema de IA que prevê estruturas de proteínas) para modificar geneticamente a Rubisco, uma enzima essencial da fotossíntese, tornando-a mais resistente ao calor. O objetivo é criar plantas que continuem produzindo alimentos mesmo com o aumento das temperaturas causado pelas mudanças climáticas.

Pesquisadores estão usando o AlphaFold (o sistema de inteligência artificial do Google DeepMind que prevê estruturas tridimensionais de proteínas) para criar plantas mais resistentes ao aquecimento global. O objetivo é modificar uma enzima essencial da fotossíntese — o processo pelo qual as plantas convertem luz solar em energia — para que continue funcionando mesmo quando as temperaturas ficam altas demais.
O trabalho se concentra na Rubisco, uma enzima (um tipo de proteína que acelera reações químicas dentro das células) considerada a mais abundante do planeta. Ela captura dióxido de carbono do ar durante a fotossíntese, mas perde eficiência quando faz calor: acima de certos limites, a Rubisco começa a falhar, o que prejudica o crescimento das plantas e reduz a produção de alimentos.
Segundo informou o Google DeepMind em comunicado, cientistas usaram o AlphaFold para entender em detalhes como a estrutura da enzima muda com o calor. Com base nessas previsões, a equipe conseguiu identificar quais partes da proteína poderiam ser alteradas geneticamente para torná-la mais estável — sem comprometer sua função. A ideia é que, no futuro, essas modificações sejam aplicadas em cultivos como arroz, trigo e soja.
A abordagem representa uma mudança de método: em vez de testar combinações genéticas às cegas em laboratório — um processo lento e caro —, os pesquisadores agora podem simular mudanças na estrutura da proteína com a IA e prever quais alterações têm mais chance de funcionar antes de fazer qualquer experimento físico. O AlphaFold foi treinado com milhões de estruturas de proteínas conhecidas e consegue prever a forma tridimensional de novas proteínas com precisão inédita.
A pesquisa ainda está em fase inicial, mas o uso de IA para engenharia de proteínas pode acelerar o desenvolvimento de plantas adaptadas a climas extremos. Com o aumento das temperaturas globais, cultivos mais tolerantes ao calor são considerados essenciais para garantir segurança alimentar nas próximas décadas, especialmente em regiões tropicais e subtropicais onde a agricultura já enfrenta estresse térmico.


