Google DeepMind e governo dos EUA criam Genesis, projeto nacional para acelerar ciência com IA
A parceria entre a divisão de inteligência artificial do Google e o Departamento de Energia americano pretende usar IA para descobertas científicas em áreas como energia limpa e mudanças climáticas.
O Google DeepMind (divisão de IA do Google) firmou parceria com o Departamento de Energia dos EUA para criar o Genesis, um projeto que vai aplicar modelos de inteligência artificial a pesquisas em energia limpa, mudanças climáticas e ciência dos materiais nos 17 laboratórios nacionais americanos.

O Google DeepMind (a divisão de pesquisa em inteligência artificial do Google) anunciou uma parceria com o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE, uma agência federal que cuida de energia nuclear, pesquisa científica e segurança nacional) para criar o Genesis, um projeto que pretende usar IA para acelerar descobertas científicas em áreas estratégicas.
Segundo informou o Google DeepMind em seu blog oficial, o Genesis é descrito como uma "missão nacional" para aplicar modelos de IA avançados a problemas complexos em física, química, biologia e ciência dos materiais. A ideia é que ferramentas como os LLMs (large language models, modelos de linguagem treinados com bilhões de textos para entender e gerar linguagem) e modelos especializados em prever estruturas moleculares ajudem pesquisadores a testar hipóteses e simular experimentos de forma muito mais rápida do que seria possível em laboratórios físicos.
O DOE já opera 17 laboratórios nacionais espalhados pelos Estados Unidos, que concentram algumas das maiores infraestruturas de pesquisa do país, incluindo supercomputadores e aceleradores de partículas. Com a parceria, o Google DeepMind vai fornecer acesso a seus modelos e ferramentas de IA para que cientistas desses laboratórios possam usá-los em projetos ligados a energia limpa, redução de emissões de carbono, desenvolvimento de novos materiais e outras áreas prioritárias para o governo americano.
A iniciativa se soma a outros esforços recentes do setor privado de IA para se aproximar de agências governamentais e projetos de interesse público. Para o Google, a parceria representa uma chance de mostrar aplicações concretas de seus modelos fora do mercado de consumo e publicidade — especialmente em um momento em que a regulação de IA avança tanto nos EUA quanto em outros países, e empresas de tecnologia buscam demonstrar que suas ferramentas podem gerar benefícios sociais amplos.
O anúncio não detalha cronogramas nem metas específicas, mas sinaliza que o Genesis deve começar com projetos-piloto em áreas onde o DOE já concentra pesquisa, como fusão nuclear (uma forma de energia que tenta replicar o processo que acontece no Sol para gerar eletricidade) e captura de carbono (tecnologias para remover CO₂ da atmosfera ou de emissões industriais). A expectativa é que os primeiros resultados comecem a aparecer nos próximos anos, à medida que os cientistas dos laboratórios se familiarizem com as ferramentas e consigam integrá-las a seus fluxos de trabalho.


