Anthropic quer padronizar o jeito como IA controla equipamentos físicos
A empresa criou o Model Hardware Standard, um protocolo que permite que assistentes de IA como o Claude comandem braços robóticos e instrumentos de laboratório sem precisar de código personalizado para cada aparelho.
A Anthropic criou o Model Hardware Standard (MHS), um protocolo que permite que modelos de IA como o Claude controlem equipamentos físicos (braços robóticos, instrumentos de laboratório) sem código personalizado para cada aparelho. Nos testes, o tempo de integração caiu de semanas para horas, mas o sistema ainda falha ao entender causa e efeito no mundo físico, exigindo supervisão humana.

A Anthropic (a empresa que criou o Claude, um assistente de inteligência artificial conversacional) anunciou o Model Hardware Standard (MHS), um protocolo que funciona como uma língua comum entre modelos de IA e equipamentos físicos. A ideia é que um agente de IA (um sistema de inteligência artificial capaz de executar tarefas de forma autônoma) possa controlar um braço robótico, um microscópio ou uma impressora 3D sem que os desenvolvedores precisem escrever código específico para cada aparelho — assim como o Model Context Protocol (MCP), lançado pela mesma empresa no final de 2024, fez para conectar IA a diferentes softwares e bases de dados.
Nos primeiros testes, o tempo de integração (ou seja, o trabalho necessário para fazer um modelo de IA conversar com um equipamento novo) caiu de semanas para horas. Em vez de programar comandos detalhados para cada tipo de hardware, os desenvolvedores passam a descrever o que o equipamento faz e quais ações ele aceita, e o modelo de IA interpreta essas instruções e envia os comandos certos.
O protocolo foi testado com braços robóticos e instrumentos de laboratório, mas a Anthropic deixa claro que ainda há limites. Em alguns casos, o Claude (o modelo de linguagem da empresa, um tipo de LLM, sigla para large language model, ou modelo de linguagem de grande escala) não conseguiu entender relações de causa e efeito no mundo físico — por exemplo, que mover um objeto para a esquerda três vezes seguidas o desloca para um lugar específico, ou que derrubar um copo quebra o copo. Por isso, a empresa recomenda que humanos supervisionem as operações, especialmente em ambientes onde erros podem causar danos.
A Anthropic vê o MHS como um passo para que assistentes de IA possam atuar em laboratórios, linhas de produção e outros ambientes onde o trabalho físico ainda depende de programação manual. A empresa publicou a especificação do protocolo como código aberto (ou seja, qualquer desenvolvedor pode usar, modificar e adaptar o padrão sem pagar licenças), mas ainda não divulgou uma data para quando o recurso estará disponível para uso geral no Claude.


